No extremo sul de Bogotá, o bairro de Ciudad Bolívar, estigmatizado internamente como um dos mais pobres e violentos da capital colombiana, abriga um conjunto de favelas que tem como referência principal a El Paraíso, no topo de uma montanha.
2016 foi um ano de virada de chave para a Colômbia e, mais especificamente, para El Paraíso e Ciudad Bolívar também. Para o país porque houve a assinatura do Acordo de Paz entre o governo colombiano e as Farc, desmobilizando mais de 50 anos do conflito armado que era travado no país. Naquele mesmo ano, teve início um projeto cultural, a partir de um casal de artistas oriundos de El Paraíso, que previa transformar a "rua da morte", via onde costumavam ocorrer tortura, roubos e assassinatos, na "rua da cor", com arte urbana.
Os grafites na rua homenageiam povos nativos da Colômbia, a cultura enraizada dos povos amazônicos e andinos, moradores históricos do bairro, homens que conseguiram sair do crime com trabalho, além de referências da cultura colombiana, a exemplo de Fernando Botero.
Mais recentemente, foi inaugurado em El Paraíso um parque, com vista panorâmica. Por ela, é possível ver boa parte da favela, a zona sul da cidade, que é mais pobre, a zona norte, que é mais rica, e o centro, onde estão o palácio do presidente, o Capitólio, museus e demais principais atrativos turísticos da cidade.
No último ano, se intensificou o número de visitantes em El Paraíso. As ONGs locais estimam que, no último semestre, foram à favela, em média, 400 pessoas por mês.
O que é comemorado não só pelos moradores, como pela prefeitura de Bogotá. A avaliação é a de que os visitantes levam à favela, consequentemente, mais segurança e crescimento econômico necessário para evolução social de toda Ciudad Bolívar.
Fonte; por Luís AdornoDo UOL, em Bogotá